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Gaijin - Ama-me Como Sou ( GAIJIN 2 ) - Sinopse



A pioneira TITOE chega ao Brasil no navio Kasato Maru em 1908, na certeza de logo voltar à terra natal com o dinheiro obtido com seu trabalho.
Em 1935, já com a filha SHINOBU, nascida no Brasil, e o pouco dinheiro que consegue juntar, TITOE compra o primeiro lote de terra, em Londrina, no Norte do Paraná, adiando o sonho de voltar ao Japão.
A guerra e as terríveis implicações desta para o Japão, fazem a promessa de Titoe virar um sonho ainda mais distante.
Em Londrina, no final da década de 40, nascem seus dois netos, KAZUMI e MARIA .
TITOE torna-se uma "batyan" - "avozinha", em japonês. Sua neta, MARIA , casa-se com GABRIEL, também um "gaijin" , filho dos imigrantes: RAMON, um fazendeiro espanhol e de SOFIA, uma italiana.
Deste casamento nascem 2 filhos mestiços: YOKO e PEDRO.
Os negócios de GABRIEL vão bem, com a compra e venda de terras, mas o grande confisco promovido durante o Governo Collor, em 1990, o leva à falência.
MARIA, GABRIEL e os filhos, vão morar com a "batyan" TITOE, na casa que ela construira com as próprias mãos, quando de sua chegada ao Paraná.
Sem perspectivas, GABRIEL embarca para Hyogo, na condição de dekassegui (trabalhador temporário) e com o firme propósito de recuperar o que perdeu.
MARIA, ao lado da mãe e da avó, e com a ajuda da cunhada GINA, luta para manter sob controle as coisas no Brasil.
Em 1995, após a trágica notícia de um devastador terremoto em Kobe , GABRIEL é dado como desaparecido. Maria e a filha YOKO deixam Londrina rumo ao Japão, na esperança de rever Gabriel.
No Japão, MARIA e YOKO enfrentam os preconceitos e desafios impostos pelas diferenças culturais , fazendo o caminho contrário ao feito por TITOE.
A promessa da velha TITOE, de voltar ao Japão, é o veio que aglomera e conduz a vida dessas quatro mulheres de gerações distintas: a própria
nonagenária; sua filha SHINOBU, uma nissei; a neta MARIA,sansei; e sua bisneta YOKO, uma mestiça.
GAIJIN 2 é um filme sobre a saga dos descendentes dos imigrantes japoneses em sua busca por identidade.

Agora é a vez da saga dekassegui

( Marcelo Lyra - Especial para Verve Comunicação / Londrina , Março de 2002)

Depois de quatro anos de pré-produção, a diretora Tizuka Yamasaki, começa a filmar neste sábado Gaijin 2. Desta vez, ela contará a saga dos dekasseguis.
No dia 10 de março, Tizuka apresentou à imprensa o elenco e a cidade cenográfica construída em Londrina, no Paraná. "Para o diretor, é uma sensação maravilhosa ver todo o elenco reunido no cenário. É como se o filme que imaginei começasse a surgir na minha frente", afirmou.
O épico irá contar a saga de quatro gerações de descendentes dos imigrantes japoneses, dando prosseguimento à história narrada no "primeiro Gaijin" .
Na presente versão, Tizuka mostrará os que fazem o caminho inverso ao dos primeiros japoneses aqui chegados. Eles vão ao Japão com o objetivo de trabalhar e voltar em melhores condições.
ELENCO INTERNACIONAL - A atriz nipo-americana Tamlyn Tomita e o cubano Jorge Perugorría foram os mais assediados pelos jornalistas. Tamlyn (Karatê Kid II e Clube da Felicidade e da Sorte), afirmou estar entusiasmada por participar de um filme sobre a imigração. “Nasci nos Estados Unidos, mas sou filha de imigrantes e tenho muito orgulho do meu sangue japonês e da história do meu povo”.
Ela conta que, quando soube do filme, por intermédio de seu agente, na Califórnia, aceitou a proposta imediatamente. “Essa questão da imigração é muito importante, mas raramente é abordada no cinema, mesmo nos Estados Unidos. Eu queria muito trabalhar em um filme assim.”
Como Tamlyn não fala português, Tizuka pretende dublá-la . Mas a atriz planeja surpreender a diretora. “Estou estudando português e creio que vou conseguir aprender as minhas falas sem sotaque”, promete ela. Tizuka se impressiona com o empenho de Tamlyn e ressalta que o importante mesmo é "sentir a dedicação, verificar que a atriz abraçou seu personagem para além de contratos ou outras injunções profissionais".
O ator cubano Jorge Perugorría (Morango e Chocolate), conta que também aceitou trabalhar com Tizuka na mesma hora em que foi convidado, antes mesmo de ler o roteiro. “Assisti ao primeiro filme de Tizuka (Gaijin, Os Caminhos da Liberdade), quando ele foi premiado no Festival de Havana e me impressionei muito.” Outro fator decisivo foi a boa impressão que levou do Brasil quando esteve aqui para filmar “Navalha na Carne”, de Neville de Almeida, e “Estorvo”, de Ruy Guerra. “Os cubanos possuem um temperamento muito parecido com o dos brasileiros e eu tenho grande afinidade com o Brasil”, afirmou.
Perugorría interpreta um brasileiro, filho de espanhóis, que vai trabalhar no Japão. “Tenho orgulho de representar a cultura latina integrando-se à japonesa.”
ORÇAMENTO - Embora “Gaijin 2” seja uma produção de grande porte, com um orçamento de cerca de R$ 9 milhões, Tizuka ressalta que não se trata de uma superprodução. “Vamos contar a história de quatro gerações, com cenas filmadas no Japão e com alguns atores estrangeiros. Esses fatores encarecem uma produção. Mas, estamos trabalhando bastante para levá-la adiante".
Tizuka conta que alguns patrocinadores do filme entraram com serviços ou produtos, no lugar de dinheiro.
PRODUÇÃO - A produção de "Gaijin 2" investiu nos mínimos detalhes. A cidade cenográfica, montada na Fazenda Santa Helena, a 15 quilômetros do centro de Londrina, impressiona. Um conjunto de 70 construções reproduz minuciosamente a Londrina dos anos 30 e 40. As casas, contrariamente ao que ocorre em grande parte das produções nacionais, possuem cômodos e divisões internas.
PESQUISA - Segundo Yurika Yamasaki, irmã da diretora e sua parceira desde o primeiro longa, a cidade é dividida em duas partes. "Uma reproduz a Londrina dos anos 30, outra a dos anos 40", explica.
Para ela, o trabalho de reconstituição foi facilitado porque os imigrantes guardam muitas fotografias daquele período. "Além disso, encontramos no acervo da biblioteca municipal uma foto aérea da cidade, feita em 1945, o que possibilitou-nos fazer um mapa perfeito."
O resultado do trabalho impressionou até mesmo os imigrantes que residiram em Londrina durante a época retratada. "Alguns deles vinham conhecer a cidade e, ao encontrar a réplica de suas antigas casas, ficavam emocionados" , diz Yurika."Foi a maior recompensa para nossa equipe".
A moradia dos primeiros imigrantes era feita de troncos de palmeiras das quais se extraíam palmitos. "Eles tinham pouco para comer e o palmito era a base da alimentação", explica Yurika. "Como ele é extraído apenas da parte superior do tronco, o restante era empregado nas edificações".
Com o tempo, as casas passaram a ser de "madeira junta" - expressão que os imigrantes usavam para designar um sistema de construção empregado até hoje no interior do Paraná.
Um detalhe que chama a atenção é que, mesmo usando material rudimentar, o estilo arquitetônico de algumas casas assemelha-se ao que predominava no Japão.
Cultura proibida - A escola criada na cidade cenográfica reproduz um detalhe histórico: debaixo da mesa do professor, há um alçapão disfarçado. A diretora Tizuka Yamasaki explica que esse tipo de esconderijo foi bastante usado durante a guerra, época em que se proibiu o ensino de línguas de países inimigos, como Japão, Alemanha e Itália. "Quando a polícia chegava na cidade, eles jogavam todos os livros japoneses sob o alçapão e fingiam que a aula era em português", conta Tizuka.