Dino Sete Cordas comemora 85 anos, é homenageado em show, ganha documentário e vira tema de livro
Pela pequena sala criada especialmente para Dino Sete Cordas na centenária loja de instrumentos Bandolim de Ouro, no Centro, já passaram, nas últimas quatro décadas, várias gerações de violonistas. De Raphael Rabello a Paulão, maestro e músico de Zeca Pagodinho, de Jorge Simas a Turíbio Santos. Qualquer músico que empunhe um violão não pode negar a influência direta ou indireta desse senhor de sorriso fácil que completa, amanhã, 85 anos. Horondino José da Silva, o Dino, não foi o inventor da sétima corda — um violonista de Pixinguinha, Tute, teria feito a adaptação de uma corda de violoncelo para fazer as vezes de um baixo — mas foi quem casou linha melódica e harmonização e, mais tarde, criou uma metodologia para o novo instrumento. Mais do que isso, o músico acompanhou de Orlando Silva a Zeca Pagodinho, sendo um recordista de gravações no Brasil. Não à toa, Dino é objeto de estudo em uma tese de mestrado e em um livro que está sendo feito sobre o violão de sete, é protagonista de um documentário e, nesta quarta-feira, no Centro Cultural Carioca, recebe a homenagem de músicos de todos os segmentos.
— Sou fã do Dino desde que eu me entendo por gente. Aquele baixo da gravação de “Sufoco”, no disco da Marrom, é bom demais. Ele gravou muito comigo — conta Zeca Pagodinho, que fez uma participação no disco “Café Brasil 2”, em que o Época de Ouro, grupo criado por Jacob do Bandolim em 1966, e que conta com as cordas de Dino desde a sua criação, recebe convidados.
Dino é um elo com um passado remoto da MPB
A longevidade de Dino e de seu violão é impressionante. Ao lado do flautista Altamiro Carrilho e do também violonista Cesar Faria — companheiro desde a primeira formação do Época — ele representa um passado remoto da música brasileira.
Dino começou tocando violão em casa por causa do pai, adepto do mesmo instrumento, e criou fama pela sua habilidade até se tornar famoso em saraus e festas familiares em que se tocava o violão.
Depois de acompanhar por algum tempo o cantor Augusto Calheiros em circos, Dino ingressou nos regionais de Benedito Lacerda, e depois no de Canhoto, trabalhando nas rádios Mayrink Veiga, Tupi e Nacional. Talvez aí esteja a chave da sua versatilidade como acompanhador, já que os regionais serviam de base para todo tipo de cantor e estilo. No regional de Canhoto, Dino ganhou a companhia de Meira. Juntos, criaram as bases do acompanhamento moderno do violão brasileiro.
Dino também é compositor de sucessos do seu tempo como o samba-canção “Pretexto”, que ganhou vida na voz de Ângela Maria. No “Café Brasil 2”, quatro músicas suas foram gravadas. Beth Carvalho conseguiu o feito de fazer o violonista cantar “Aperto de mão”.
— Ele criou um estilo que pouca gente consegue seguir. Ninguém tem a sua qualidade e inventividade — conta Beth, que dedicou a ele o disco “Nos botequins da vida”, de 1976.
O violonista e jornalista Luís Filipe de Lima, um discípulo de Dino, tem dois projetos diretamente ligados ao mestre. O primeiro, “Sete cordas: um violão brasileiro”, é um estudo sobre o instrumento agraciado com uma bolsa do RioArte, que será transformado em livro no segundo semestre. O segundo, uma série de shows no CCBB de São Paulo , com os melhores violonistas do país. A série começa na terça com um show de... Dino.
— Faz cinco décadas que Dino começou a tocar o violão de sete cordas, instrumento que tem várias vertentes e apenas ele como matriz — conta Luís Filipe.
Músico que transita entre o universo pop e a cadência do samba, o cantor Moska foi outro a gravar uma canção de Dino, “Insensatez”.
— O Dininho, filho do Dino, deu-me uma fita com esta música que eu nunca tinha ouvido. Quando chegamos no estúdio, eu cantei exatamente o que estava na fita. O Dino implicou com um trechinho, duas notinhas mesmo. Quando tiramos a prova, ele tinha razão — lembra o cantor. — Ele determinou a função desse instrumento, redefiniu o sotaque do samba e do choro.
É essa inventividade que o músico e antropólogo Gustavo Pacheco pretende captar através de uma câmera em um documentário que faz sobre Dino. Mais do que contar a vida do personagem, ele quer mostrar que o compositor, arranjador de muitos discos — inclusive os dois primeiros de Cartola, em 1974 e 1975 — e professor é um caso raro do músico de estúdio e de acompanhamento que virou um mito da música brasileira.
— Estamos tentando falar da alma mas também dedicar um pouco de tempo à música de Dino— conta Pacheco.
Na quarta à noite, Moska, Beth Carvalho, Nei Lopes, Altamiro Carrilho, o Época de Ouro e dezenas de chorões já confirmaram presença na festa do mais importante instrumentista brasileiro em atividade.
Certa vez, em uma conversa com Dininho, Raphael Rabello definiu o mestre:
— O violão do Dino não tem clichê, não tem frase igual.
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Verve Comunicação - Assessoria de imprensa :
"Terças Musicais do CCBB" ( Maio 2003) :
"Sete Cordas - Um Violão Brasileiro"
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