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O GLOBO - PROJETOS DE MARKETING / Página 3
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28/11/2002 |
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"A inteligência do sistema é uma questão de soberania"
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Quinta-feira, 28 de novembro de 2002
Suplemento 12 páginas |

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Foto: Valéria Gonçalves / Verve Comunicação
Para ilustrar a questão da autonomia e soberania de um país na questão da tecnologia estratégica, Tarcísio Takashi Muta costuma fazer uma comparação
com o corpo humano - "pernas, braços e até mesmo o coração você pode substituir por similares mecânicos, mas se você fizer isso com o cérebro, você deixa de ser você mesmo. A inteligência do sistema Sivam é uma questão de soberania. Ou o Brasil tem este domínio, no sentido de conhecer e evoluir, ou não é o dono dela. No Sivam, o governo estabeleceu exatamente isso: comprou
braços e pernas, o hardware, mas o cérebro é brasileiro". Leia a seguir os principais trechos da entrevista desse engenheiro aeronáutico, formado pelo ITA, que é CEO e Presidente do Conselho de Administração da Fundação Atech - empresa integradora brasileira do projeto Sipam/Sivam.
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COMO FOI POSSÍVEL conciliar o conceito de um grande projeto tecnológicopara apoio à Amazônia, com a sua realidade histórica e conhecida, de grandes projetos e tentativas de soluções, com tantos percalços?
Veja o seguinte exemplo: quando o general Rondon iniciou seu trabalho pioneiro na Amazônia, ele utilizou o conhecimento da topografia, a tecnologia disponível na época. Superou-se a incerteza dos resultados com idealismo e sacrifício de abnegados.
Posteriormente o governo optou por políticas de colonização, com grandes projetos de desenvolvimento, utilizando- se de novas tecnologias como, por exemplo, aerolevantamentos. Mas as políticas mostraram-se na contra-mão
da realidade amazônica. Já a conceituação do Sipam/Sivam, no final da década de 80, significou na prática a antecipação dos conceitos da tecnologia da informação no Brasil. Isso coloca na mão do administrador público ferramentas tecnológicas que permitem um diagnóstico mais elaborado, uma visão mais abrangente e que é possível com sensores mais especializados, espalhados pelo espaço e pela região. Isso permite uma melhor compreensão de toda a extensão do problema. Essas ferramentas também vão permitir simulações para evitar impactos indesejáveis, monitorar a implantação reduzindo as margens de erros, e controlar resultados. Ou seja, uma solução coincidentemente própria para o ambiente e contexto amazônicos - as soluções de futuro estão à frente, nas mãos, e de forma controlada.
Como se articulam na prática o Sipam e o Sivam?
O Sipam é o futuro. É a integração operacional institucional, a inovação nos conceitos políticos, estratégicos, programáticos e operacionais, e de utilização de infra-estrutura integrada. É um importante fator de up grade na formação e aplicação de recursos humanos regionais num segmento tecnológico diferenciado. O Sivam é apenas a infra-estrutura tecnológica -importantíssima, claro - mas é apenas a ferramenta e assim precisa ser vista, sob o risco de se perder o foco da aplicação do sistema. O Sipam/Sivam representa principalmente uma evolução na qualidade e na eficácia da gestão pública - uma quebra de paradigma. Trás um desafio cultural na questão da aplicação de formas mais avançadas, integradas e eficazes de gestão. O Estado passa a ter soluções tecnológicas de gestão, em seu nível, mais avançadas que uma produtiva organização privada.
Passado o desafio da implantação, é hora de buscar os benefícios diferenciados que devem vir de sua operação, que devem se traduzir na materialização de melhores índices sociais para a população, especialmente a da Amazônia.
Qual é o impacto da formação de mão de obra para a Amazônia?
O impacto é importante e diferenciado. Durante a implantação do projeto, a Atech contratou técnicos e especialistas da região, que passaram de 1 a 3 anos nos Estados Unidos, trabalhando na Amazontech, empresa controlada pela Atech. Retornaram ao Brasil com domínio da tecnologia de interesse brasileiro, e em sua maioria estão trabalhando na Amazônia na operacionalização do sistema, e na multiplicação do conhecimento.
Um importante aspecto é que o projeto vai demandar uma capacitação tecnológica - ao contrário da fase de obras civis, em que a demanda era por recursos menos especializados, abrindo oportunidades locais de trabalho em setores diferenciados e importantes.
Atualmente, as universidades locais estão tendo importante participação na preparação de recursos humanos e, com o tempo, novas oportunidades
aparecerão, por exemplo, na área de biotecnologia. Para uma região que se confunde com o próprio laboratório da biodiversidade, onde a população também é rarefeita por natureza, é possível que o Sipam/Sivam possa estar alavancando uma vocação mais estratégica para essa região. Um ponto interessante para lembrar é
que, com a possível utilização de soluções do sistema para outras regiões do país, em níveis federal, estadual e municipal, a região pode passar a ser exportadora de especialistas.
Houve política de compensação (off set) no Sivam?
Eu diria que houve um off set diferenciado e importante. Na verdade, o contrato proporcionou um processo de absorção e de capacitação inteligente e eficaz, pois colocou empresas brasileiras, como a Atech e a Embraer, na posição de desenvolvedoras e contratantes dos serviços e dos conhecimentos necessários. A responsabilidade contratual de execução ficou por conta da Atech e da Embraer, dando efetiva garantia ao cliente, que é o governo brasileiro, em receber a tecnologia que contratou, sob pena de não pagamento.
Equipes do próprio governo também participaram da execução dessa compensação, nos Estados Unidos, no Canadá e na Suécia.
Como o Sr. retrataria o Projeto Sipam/Sivam de uma forma sintética?
Eu resumiria numa única palavra: oportunidade.
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CLIPPING ATECH
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