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Veículo  : ZOOM _ Jornal da Quanta - Reportagem 4/5/2002
O gaffer de Gaijin 2: "Já que eu vou viver disso para sempre é melhor fazer direito"
Paulo Roberto de Souza, o Paulão, como é conhecido, conta como foi sua incursão no cinema. "Eu não tinha idéia do que era. Mas eu logo aprendi que luz em cinema não era só saber sobre 110W e 220W." Entre as produções mais recentes de Paulão estão Eu, Tu, Eles; Xuxa e os Duendes e O Homem do Ano (a ser lançado).





Foto: Saulo Ohara

Tizuka faz um último ensaio com atores antes de prosseguir as filmagens


"No cinema é assim: Primeiro a prática, depois a teoria." (Paulão, gaffer de Gaijin 2)

Paulão: "Eu não tinha idéia do que era cinema. Para mim era um salão com cadeiras e telão"


Paulo Roberto de Souza, Paulão, 42 anos, mineiro. Profissão: gaffer. Mas já foi copeiro, pizzaiolo e garçon. Ele e seu irmão Toni Gorbi entraram para o cinema como maquinistas. Toni Gorbi, hoje também gaffer, nos idos anos 80 sonhava em ser ator. No início, a aventura de fazer cinema parecia ser mais uma profissão relâmpago. "Eu entendia de eletricidade. Meu pai era mestre-de-obras e fazia as ligações elétricas em casa. Mas eu logo aprendi que elétrica de cinema não é só 110w e 220w. É como ser um pintor: tem que saber desenhar a luz", ensina Paulão.

O começo foi lá, na Boca do Lixo, na rua do Triunfo em São Paulo. Eram outros tempos. "Não havia caminhão e chefe de maquinária, caminhão e chefe de elétrica. Havia uma Kombi onde se colocava o equipamento e a câmera. E só!", relembra.
Quando o cinema definitivamente virou sexo explícito barra pesada, Paulão se desiludiu com a Arte. Abandonou a profissão e voltou para Belo horizonte. "No início eram longas de 3, 4 semanas, depois, fazia-se filmes em uma semana." Retornou fazendo algumas produções em Belo Horizonte e em 1988 trabalhou em Luar Sobre Parador, do norte-americano Paul Mazurski. Segundo ele, um dos maiores filmes que já fez como gaffer. "Até então eu nunca tinha coordenado uma equipe de 10 pessoas."
Em Gaijin 2, de Tizuka Yamazaki, Paulão trabalha com 7 pessoas. O Diretor de Fotografia do filme, Edgar Moura, já é conhecido de Paulão, o que, segundo ele, facilita algumas coisas. "O Edgar é objetivo e simplifica a maneira do técnico trabalhar. Ele se antecipa ao que vai acontecer distribuindo o trabalho antes."
O gaffer Paulão também empresta sua criatividade à direção de Arte. Para fazer nevar em Londrina, Paulão sugeriu cobrir o chão e os prédios de sal e jogar gel nos ventiladores turbos. Para filmar a cena foram usadas 16 toneladas de sal compradas no Porto de Paranaguá.
Paulão, que no início da carreira não tinha idéia do que era fazer cinema, foi apurando os conhecimentos e desenvolvendo a sensibilidade visual para a luz. "Eu pegava um catálogo de gelatinas e ficava medindo a luz no olho e depois media com o fotômetro para ver se eu acertava. Com o tempo, essa técnica me ajudou a afinar a luz com mais rapidez", diz Paulão, que garante: o primeiro dinheiro que ganhou com cinema foi usado na compra de um fotômetro, um colorímetro e um spot mitter.

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